A Santidade do Sangue

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A SANTIDADE DO SANGUE (Levítico 17:1-16)

A palavra "sangue" é usada 370 vezes na Bíblia, sendo que 283 delas aparecem no Antigo Testamento. No capítulo 17 do livro de Levítico, encontramos a palavra "sangue" onze vezes; também vemos nesse capítulo o texto-chave para o significado do sangue na salvação: "Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida" (Levítico 17:11).

Muito antes da ciência médica entender a circulação do sangue no corpo e sua importância para a vida, as Escrituras já nos diziam que o sangue era vida. Quando um sacrifício era oferecido e seu sangue era derramado, significava uma vida sendo entregue no lugar de outra. A vítima inocente morria no lugar do pecador culpado. Ao longo das Escrituras, é o sangue que faz a expiação. Qualquer teologia que ignore ou que subestime o sangue não é fundamentada na Palavra de Deus.

Pelo fato do sangue ser a vida da criatura e o meio ordenado por Deus para a expiação, o sangue não devia ser tratado como um alimento qualquer. Essa proibição já vinha do tempo de Noé (Gênesis 9:1-4) e foi repetida com frequência na lei (Levítico 3:1 7; 7:26, 27; Deuteronômio 12:16,23-25; 15:23). A Igreja primitiva incluiu essa prescrição em suas instruções para os convertidos gentios (Atos 15:23-29). Em muitas religiões pagãs, era comum a prática de usar sangue como alimento, o que explica por que Deus advertiu até os que não eram israelitas no acampamento para que não transgredissem essa lei. Antes de preparar sua refeição, um israelita que estivesse caçando deveria ter o cuidado de deixar escorrer todo o sangue do animal ou ave que tivesse pegado. Em seguida, o sangue seria coberto com terra, dando-lhe, por assim dizer, um sepultamento decente. Hoje em dia, os judeus ortodoxos têm o cuidado de comprar somente carnes kosher, das quais o sangue foi escorrido da maneira prescrita.

A SANTIDADE COMEÇA NO ALTAR

O Livro de Levítico não começa com uma reunião de oração, um culto de louvor ou um momento para compartilhar. Começa no altar, em que é derramado o sangue dos sacrifícios inocentes pelos pecadores culpados, com a descrição de cinco sacrifícios, sendo que todos apontam para o Senhor Jesus Cristo e para seu sacrifício na cruz.

O primeiro passo para a santidade é admitir meus próprios pecados e reconhecer a Cristo como meu único Salvador e Redentor. Se acredito que vou santificar-me com minhas resoluções sinceras, meus costumes religiosos ou meu conhecimento teológico, estou fadado a fracassar. Sem dúvida, precisamos de conhecimento espiritual e devemos ter a resolução de cultivar uma vida de piedade, mas, sem o sacrifício de Jesus, todas essas coisas boas tornam-se inúteis e, por vezes, até nocivas.

A cruz revela a aversão de Deus pelo pecado. Nosso pecado matou seu único Filho. Como posso ter uma posição neutra ou até ser amigável para com algo que levou o Filho de Deus a sofrer e a morrer? A menos que eu aprenda a odiar o pecado, jamais serei capaz de cultivar a santidade. Contudo, a cruz também revela o poder de Deus para subjugar o pecado. O Sangue de Jesus nos purifica (1 João 1:7,9) e nos leva para perto de Deus (Efésios 2:13), purificando também a nossa consciência (Hebreus 9:14). Ao aceitar a obra completa de Cristo e nossa condição santificada nele (Hebreus 13:12), damos o primeiro passo para levar uma vida de santidade.

No dia da Expiação, o sumo Sacerdote levava um novilho como oferta pelo pecado e um carneiro para o Holocausto, e, do povo eram trazidos dois bodes para expiação do pecado e um carneiro para o holocausto. Depois de jogar sorte sobre um dos bodes, um era solto e o outro era sacrificado junto com o novilho. O sacerdote entrava no Santíssimo lugar (um a um) e aspergia o sangue sobre o propiciatório.