Sacerdote, Juiz, Profeta e Rei

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SACERDOTE, JUIZ, PROFETA E REI

SAMUEL

Samuel foi escolhido por Deus em um período de transição histórica de Israel. Ele foi o último juiz, sendo, posteriormente, sacerdote, quando Eli morreu, e, depois, profeta. Ele ungiu o primeiro rei, Saul, e o maior rei de Israel, Davi. Mas, somente em Jesus vemos o exercício das funções de Rei, Juiz, Sacerdote e Profeta. Vamos entender qual o papel de cada uma dessas funções no Antigo Testamento.

SACERDOTE

O sacerdote era um ministro que agia como mediador entre o homem e Deus. Os termos originais kohen e kahen, encontrados no Antigo Testamento, são os principais termos que geralmente são traduzidos como “sacerdote”, além de outras palavras relacionadas, como: kehunna “sacerdócio”; a forma verbal kahan “ser sacerdote”, no sentido de desempenhar a função sacerdotal; e os termos utilizados para indicar o principal dos sacerdotes, como por exemplo, hakohen hagadol “sumo sacerdote”. Juntos, esses termos ocorrem pelo menos 775 vezes.

O sacerdócio foi oficialmente ordenado no tempo de Moisés, com Arão e seus filhos (Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar) sendo consagrados como sacerdotes por Moisés.

A principal função dos sacerdotes era servir de representante de Deus junto ao povo, ao mesmo tempo em que também era o representante do povo perante Deus, um mediador, oferecendo sacrifícios agradáveis e expiatórios.

Além dessa função principal, os sacerdotes também deviam se ocupar com outras atividades secundárias, como, por exemplo, o ensino da Lei (Levítico 10:10,11; Deuteronômio 33:10; II Reis 17:27,28). Em alguns casos, atuar na jurisprudência e até em alguns diagnósticos na área da saúde (Levítico 13;14; Deuteronômio 21:5), na purificação corporal de homens, mulheres e determinados objetos (Levítico 15), entre outras funções.

JUIZ

O nome vem da denominação hebraica dos personagens principais do shophetim, que é traduzida como “governante”.

Além do sumo sacerdote, o governador eclesiástico, por meio do qual tinha o povo comunicação com Deus, havia um supremo magistrado para os negócios civis, ao qual até a primeira autoridade sacerdotal estava subordinada. Foi Moisés o primeiro desses magistrados civis, e depois Josué (Números 27:18). Em lugar inferior, os anciãos que formavam o seu conselho exerciam o governo.

Depois da morte de Josué e dos anciãos, a quem ele havia nomeado, veio uma situação anárquica, em que não havia obediência aos mandamentos divinos (Juízes 2:12-15), e, em consequência disso, certas pessoas eram escolhidas por intervenção divina, para governar a nação como juízes ou libertadores, descritos no livro de Juízes. Eles não tinham o poder de fazer novas leis, mas somente o de julgar em conformidade com a lei de Moisés. Havia neles, também, o poder executivo, embora a sua jurisdição se estendesse somente algumas vezes a certa parte do país.

Esta forma de governo durou desde a morte de Josué até à escolha de Saul para ser rei, compreendendo um espaço de 460 anos. Foi Samuel o mais notável dos juízes, parecendo que na última parte da sua vida ele se limitava a exercer principalmente a missão de profeta.

A pessoa do juiz era considerada "santa e sagrada" de modo que, consultá-lo, era o mesmo que consultar a Deus (Êxodo 18:15). Ele era divinamente dirigido, não temendo então a face de ninguém, “porque o juízo é de Deus” (Deuteronômio 1:17,18 e Salmos 82). Além dos juízes supremos, havia os anciãos da cidade. Cada cidade do país tinha os seus anciãos, que constituíam um tribunal de justiça, com o poder de resolver as pequenas causas da localidade (Deuteronômio 16:18). Para juízes de menor responsabilidade, eram escolhidos indivíduos de mais idade ou levitas, ou chefes de família, ou mesmo aqueles cujas riquezas os punham em situação de não serem tentados nos seus julgamentos, porque os hebreus eram sensíveis com respeito à administração da justiça. Estes juízes locais eram chamados “príncipes”, se eles pertencessem às classes superiores, e “anciãos”, se eram das classes inferiores (Êxodo 2:14; Juízes 8:14; Esdras 10:8; Jó 29:9).

Havia certos chefes de família para os auxiliarem, indivíduos que eram reconhecidos como cabeças entre os seus. Eram estes os juízes que se sentavam às portas das cidades, homens de reconhecida influência e juízo (Juízes 8:14,15). Por costume, os juízes eram escolhidos entre os membros da tribo de Levi, pelo fato de serem homens muito versados na lei (II Crônicas 19:5-11 e 35:3). Os principais juízes foram quinze: Otniel, Eúde, Sangar, Débora e Baraque, Gideão, Abimeleque, Tola, Jair, Jefté, Ibsã, Elom, Abdom, Sansão, Eli e Samuel.

Depois do governo dos juízes, veio o dos reis até ao tempo do cativeiro de Babilônia. Depois do cativeiro, Esdras nomeou duas classes de juízes (Esdras 7:25), mas os casos mais difíceis eram levados ao sumo sacerdote para serem resolvidos, e isto foi assim até que foi instituído o Sinédrio, o grande conselho. Este conselho supremo constava de setenta pessoas, havendo um presidente e um vice-presidente. Desde o tempo de Herodes, o cargo de presidente deste supremo tribunal era distinto do de sumo sacerdote, vindo a ser um lugar de considerável importância.

PROFETA

Profeta, no original hebraico “nabi”, vem de uma raiz que significa “borbulhar, como de uma fonte” (compare Salmo 45:1). Essa palavra hebraica é a primeira e a mais geralmente usada para um profeta. No tempo de Samuel, outra palavra “ro’eh” que quer dizer “vidente”, começou a ser usada (I Samuel 9:9), ocorrendo sete vezes em referência a Samuel. Depois, outra palavra “hozeh”, “vidente” (II Samuel 24:11), foi empregada. Em I Crônicas 29:29, todas estas três palavras são usadas: “Samuel o vidente (ro’eh), Natã o profeta (nabi), Gade o vidente (hozeh)”. Em Josué 13:22 Balaão é chamado de “kosem” “adivinho”, uma palavra usada apenas de um falso profeta.

O profeta proclamava a mensagem que lhe foi dada, quando o “vidente” contemplava a visão de Deus (Números 12:6,8). Assim, um profeta era um porta-voz de Deus, ou seja, aquele que profetiza anunciando a mensagem d’Ele; ele falava em nome de Deus e por sua autoridade (Êxodo 7:1). Ele é a boca pela qual Deus fala aos homens (Jeremias 1:9; Isaías 51:16), e, portanto, o que o profeta diz não é do homem, mas de Deus (II Pedro 1:20-21; Hebreus 3:7; Atos 4:25; 28:25). Os profetas eram os instrumentos diretos de Deus para a comunicação de sua mente e vontade para os homens (Deuteronômio 18:18-19). Toda a Palavra de Deus pode, assim sendo, ser considerada profética, na medida em que foi escrita por homens que receberam a revelação que comunicaram do Senhor, não importa qual fosse sua natureza.

Em um sentido geral, um profeta é uma pessoa que proclama a verdade de Deus para os outros. A palavra grega prophetes pode significar "aquele que proclama" ou "defensor". Os profetas também são chamados de "videntes" por causa de sua percepção espiritual ou de sua capacidade de "ver" o futuro.

Na Bíblia, os profetas frequentemente tinham um papel de ensino e revelação, declarando a verdade de Deus em questões contemporâneas, ao mesmo tempo revelando detalhes sobre o futuro. O ministério de Isaías, por exemplo, abordou temas relacionados tanto no presente quanto para o futuro. Ele pregou corajosamente contra a corrupção de seus dias (Isaías 1:4) e deu grandes visões do futuro de Israel (Isaías 25:8).

“Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3:7). Este versículo do livro de Amós, um dos profetas menores, distingue bem a função do profeta de revelar os mistérios, os segredos do Senhor. No Antigo Testamento, os profetas não eram intérpretes, mas sim porta-vozes da mensagem divina (Jeremias 27:4). O Senhor chamou alguns dos seus servos como profetas no Velho Testamento para anunciar a mensagem da parte de Deus, seja ela para exortar, ensinar e principalmente apontar aquilo que havia de vir, onde muitas profecias apontam para o Senhor Jesus, o Messias. Isaías, por exemplo, é tido como um dos profetas Messiânicos.

Alguns profetas do Velho Testamento escreveram livros que foram classificados em profetas maiores e menores, não como uma qualificação, ou classificação a nível de importância, mas para organizar em duas categorias conforme o volume do seu conteúdo. São os profetas maiores os livros de Isaías, Jeremias, Lamentações de Jeremias, Ezequiel e Daniel. São os profetas menores os livros de Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

No Novo Testamento, o profeta falava baseado na revelação do Antigo Testamento e no testemunho dos apóstolos. João Batista e Jesus também foram chamados de profetas, sendo João Batista o último profeta do período da Lei, este, descrito como “Voz do que clama no deserto para preparar o caminho do Senhor”. João pregava no deserto o batismo de arrependimento, dizendo: “Após mim vem aquele que é mais forte do que eu, ao qual não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das suas alparcas. Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo” Marcos 1:7-8.

No Livro de Efésios 4:11-12, Paulo também destaca a característica de profeta a alguns daqueles que são chamados para o ministério.

REI

Conforme o dicionário, o rei é:

  • chefe de Estado investido de realeza; príncipe soberano de um reino; monarca, soberano.
  • aquele que detém o poder absoluto ou grande parcela de poder.

Antes de se estabelecer a monarquia em Israel, o povo era governado pelos juízes que julgavam segundo a vontade de Deus. Porém, sendo Samuel já velho, houve um momento em que os israelitas exigiram um rei para serem como as outras nações. Assim sendo, o Senhor começa a levantar os reis de Israel, porém, Ele não lhes deu um rei igual às outras nações. Ele estabeleceu regras para os reis de Israel e orientou que todos os reis fossem escolhidos por Ele (Deuteronômio 17:14-20), sendo Saul o primeiro rei de Israel, sucedido por Davi e, posteriormente, por Salomão. Esses foram os três reis que reinaram sobre todo o Israel.

O rei aprovado por Deus não podia ser homem estranho, mas escolhido dentre o povo de Israel, sendo submisso à autoridade de Deus e conhecedor da lei, para não se desviar dos estatutos do Senhor e para que os dias de seu reinado fossem prolongados. Constantemente o rei deveria consultar ao profeta ou ao sacerdote para saber qual era a vontade de Deus, como está descrito em diversas passagens bíblicas como, por exemplo, Davi consultando ao sacerdote para subir às guerras ou tomar decisões envolvendo o povo de Israel. Por outro lado, Saul, quando desobedeceu à ordem do Sacerdote, foi rejeitado por Deus, e, tempos depois, morre. Com isso, Davi, já ungido pelo Senhor, assume o reinado.

O rei devia promover a justiça, a paz e a segurança entre seu povo, cumprindo a lei e levando o povo a cumpri-la também, ou seriam juntamente julgados. Nenhum rei foi perfeito, mas o rei Davi foi aprovado por Deus, pois tinha seu coração voltado para Ele. “Depois que tirou o reinado de Saul, deu-lhes Davi como rei, sobre quem testemunhou: ‘Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará tudo conforme a minha vontade’” Atos 13:22. O reinado de Davi foi um reinado de muitas guerras, grandes conquistas e unificação do povo de Israel.