Desde o dia em que Abraão dispensou seu filho Ismael e sua mãe, a escrava Agar, pelo deserto de Sur, iniciou-se um conflito entre consanguíneos: árabes e judeus. Os árabes são descendentes de Ismael, e os judeus são descendentes de Isaque, o filho da promessa, que herdariam a Terra Prometida de Canaã.
Povos como os Amalequitas, os Amorreus, os Cananeus, os Heteus, os Heveus, os Jebuseus e os Periseus tornaram-se arqui-inimigos de Israel. Mais tarde, os Filisteus (que habitavam na atual faixa de Gaza), os Sírios ao norte, os Babilônios (atual Iraque), os Medo Persas (Irã), os Gregos, e, mais tarde, os Romanos dominaram aquela região estratégica para o comércio entre a Ásia e a África, região do Mediterrâneo.
Quando o povo entrou na terra prometida, Deus lhes disse que destruíssem todos os inimigos e que não deixassem nada deles. Enquanto Israel estava unida e obediente, eles destruíram a todos, mas, quando houve a repartição da terra, algumas tribos, ao invés de cumprir o que Deus havia ordenado, resolveram se misturar e sujeitar alguns povos que habitavam a terra. Por sua desobediência, Israel sempre estaria em conflito pela soberania da terra. Sua desobediência levou para o meio do povo do Senhor a idolatria. Vamos à história de alguns desses povos: amonitas, edomitas, amalequitas e filisteus.
Os amonitas eram os descendentes de Ben-Ami, filho de Ló com sua filha mais nova (Gênesis 19:38).
Israel recebeu ordens divinas para tratar os amonitas com misericórdia (Deuteronômio 2:19).
Na Bíblia, os amonitas são descritos repetidas vezes como inimigos dos israelitas, apesar de seu parentesco. Seguindo as ordens do Senhor, o povo de Israel não lutou contra os amonitas durante o tempo do Êxodo (Deuteronômio 2:19,37; Josué 11:15). Mas, os amonitas, juntamente com os moabitas, demonstraram desprezo pelos israelitas enquanto eles peregrinavam pelo deserto. Parece que eles também estiveram envolvidos no plano de Balaque, rei de Moabe, em associação com os midianitas, para prejudicar Israel. Eles contrataram Balaão para amaldiçoar os israelitas. Por tudo isto, os amonitas foram condenados a não poder entrar na congregação de Israel até a décima geração (Deuteronômio 23:3-6).
No tempo dos juízes de Israel, os amonitas se aliaram aos amalequitas e aos moabitas com o objetivo de subjugar o povo de Israel (Josué 3:13). Essa opressão sobre Israel durou dezoito anos, e terminou quando Eúde matou Eglom, o rei de Moabe (Juízes 3:15).
Não muito tempo depois, mais uma vez os israelitas pecaram contra Deus. Eles começaram a adorar outros deuses, inclusive as divindades amonitas, e abandonaram o Senhor. Então, os amonitas atravessaram o Jordão e invadiram o território dos israelitas, trazendo a eles grande angústia. A opressão estrangeira sobre Israel chegou ao fim quando Deus levantou Jefté como libertador (Juízes 10:6-11:33).
Os edomitas eram os descendentes de Esaú, irmão de Jacó e filho de Isaque. Eles são assim chamados porque o termo Edom é aplicado a Esaú. A palavra Edom vem de um termo hebraico que faz referência à cor vermelha. Esse termo é utilizado na Bíblia para se referir a Esaú, ao território de Edom e aos habitantes deste território.
Basicamente existem três explicações principais sobre a aplicação e significado de Edom. A primeira, e mais aceita pelos estudiosos, diz que o termo Edom foi aplicado a Esaú e aos seus descendentes em conexão com guisado pelo qual ele trocou o seu direito de primogenitura. O guisado que Jacó preparou para ele tinha a coloração avermelhada. Mas, Esaú também era ruivo, e o uso do termo Edom pode estar relacionado a esta característica física. A terceira e última hipótese para o uso do termo Edom está relacionada às características geográficas daquela região.
Os edomitas são retratados na Bíblia principalmente como oponentes do povo de Israel. Apesar de serem povos irmãos, os edomitas se ocuparam em ser hostis com os israelitas. O primeiro encontro histórico entre esses dois povos revela exatamente um exemplo dessa hostilidade. Naquela ocasião, os israelitas estavam peregrinando em direção a Terra Prometida, após sair do Egito. Num determinado ponto de sua viagem, eles se depararam com o território dos edomitas.
Então, Moisés pediu permissão para que o povo de Israel pudesse atravessar o território dos edomitas pacificamente. Ele até se comprometeu em pagar por qualquer coisa que porventura os israelitas viessem a precisar durante o caminho. Mesmo assim, o rei de Edom se recusou a deixar o povo de Israel passar (Números 20:14-21). Então os israelitas tiveram que fazer um longo desvio pelo deserto para evitar o território dos edomitas. Apesar disso, Deus proibiu que os israelitas abominassem os edomitas (Deuteronômio 23:7,8). Quando Josué fez a distribuição do território da Terra Prometida entre as tribos de Israel, a terra dos edomitas não foi invadida (Josué 15:1,21).
A maioria dos estudiosos entende que os amalequitas eram os descendentes de Amaleque, neto de Esaú. Amaleque era filho de Elifaz com sua concubina Timna. Ele tornou-se um líder em Edom (Gênesis 36:12,16).
Os amalequitas sempre são contados na Bíblia entre os inimigos de Israel (Salmos 83:7). O primeiro confronto entre os amalequitas e os israelitas ocorreu em Refidim, no deserto do Sinai (Êxodo 17:8-13). Por causa desse ataque, foi ordenado que o povo de Amaleque fosse destruído (Deuteronômio 25:17-19).
Foi contra os amalequitas que Arão e Hur sustentaram as mãos de Moisés elevadas, enquanto o povo de Israel prevalecia. Mais tarde, o povo de Israel rebelou contra Deus e a liderança de Moisés, e tentou entrar em Canaã pela região sul. Naquela ocasião eles foram massacrados pelos amalequitas em Hormá (Números 14:43-45).
Balaão falou do povo de Amaleque como “o primeiro das nações” (Números 24:20). Alguns intérpretes acreditam que, ao dizer isso, ele estava se referindo ao pioneirismo daquele povo naquela região. Outros defendem que ele estava se referindo ao fato de que o povo de Amaleque foi o primeiro a atacar os israelitas após sua saída do Egito.
Os amalequitas também são mencionados no período dos juízes de Israel. Pelo menos duas vezes eles fizeram alianças com seus vizinhos para confrontar os israelitas. Primeiro eles apoiaram Eglom, rei dos moabitas (Juízes 3:13). Depois, eles auxiliaram os midianitas em seus ataques ao povo de Israel. Naquela época Deus levantou Gideão, e ele derrotou a todos eles no vale de Jezreel (Juízes 6:33; 7:12-22).
Os filisteus eram um povo gentio que ocupava a costa sul da Palestina nos tempos bíblicos. Os filisteus são citados na Bíblia, em muitas ocasiões, sempre em oposição aos israelitas. O território ocupado pelos filisteus era chamado de Filístia ou, simplesmente, “terra ou região dos filisteus”.
Os filisteus saíram de Casluim, da descendência de Mizraim, filho de Cam (Gênesis 10:14; 1 Crônicas 1:12).
Os filisteus eram um povo pagão. Eles adoravam divindades semitas. Entre os deuses cultuados pelos filisteus estavam: Dagom, com templos em Gaza e Asdote (Juízes 16:21-30; 1 Samuel 5:1-5); Astorete com santuário em Asquelom; e Baal-Zebube, com um templo em Ecrom (2 Reis 1:2-6).
Os primeiros filisteus, que aparecem relacionados à história do povo hebreu, datam do período patriarcal. Os patriarcas Abraão e Isaque tiveram contato com certos filisteus, sendo dois reis que se chamavam Abimeleque e um general por nome de Ficol (Gênesis 20; 21; 26). É possível que o primeiro, Abimeleque, fosse pai ou avô do segundo.
Os filisteus são mencionados novamente na narrativa bíblica no período de peregrinação dos israelitas pelo deserto. Naquela época eles já estavam bem estabelecidos na faixa litorânea entre o Egito e Gaza. Por esse motivo Moisés fez um pequeno desvio de percurso para evitar “o caminho da terra dos filisteus” (Êxodo 13:17; Êxodo 23:31; Deuteronômio 2:23).
O profeta Isaías profetizou acerca de como os assírios julgariam os filisteus (Isaías 14:28-32). Depois, o profeta Jeremias também profetizou sobre sua iminente destruição (Jeremias 47). Primeiro eles foram subjugados pela Assíria, e depois acabaram sendo pressionados pelo Egito.