Cidadania é o direito de pertencer a um país e de exercer os direitos básicos que ele garante, como possuir bens, votar e ser votado. Paulo, possuidor de dupla cidadania, nasceu em Tarso (Atos 22:3), uma próspera e culta cidade da Cilícia, correspondente ao sul da atual Turquia. Naquele tempo, Tarso era a capital da província romana da Síria-Cilícia (Gálatas 1:21).
Há dois mil anos, Israel estava sob o domínio do Império Romano. Durante esse período, os apóstolos pregavam o evangelho. A cidadania romana concedia diversos privilégios, como o direito de julgamento em corte, o direito de apelar ao supremo tribunal de Roma, presidido pelo imperador, e a proteção contra certos castigos, como a flagelação e a crucificação. Além disso, cidadãos romanos só podiam ser condenados à morte em casos de traição.
Paulo era judeu por nascimento, da linhagem de Israel e pertencente à tribo de Benjamim (Filipenses 3:5). Foi circuncidado ao oitavo dia, seguindo a Lei judaica. Seus pais eram comerciantes em Tarso, o que lhe concedeu o título de cidadão romano. Essa cidadania foi herdada porque Tarso, integrada ao Império Romano, tinha habitantes de elevada condição social que receberam o privilégio da cidadania.
Enquanto pregava o evangelho, Paulo exerceu seus direitos como cidadão romano. Quando foi determinado que ele fosse açoitado, protestou: “Ser-vos-á, porventura, lícito açoitar um cidadão romano, sem estar condenado?” (Atos 22:26-29). Sua cidadania causou espanto, e os oficiais romanos recuaram ao descobrir seu status, demonstrando o grande valor atribuído à cidadania naquela época.
Apesar dos privilégios que possuía, Paulo enfatizou que a verdadeira cidadania está no céu: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20). Ele usou sua experiência para ensinar que a salvação transcende as vantagens terrestres.
Antes de sua conversão, Paulo era conhecido como Saulo. Ele teve um encontro transformador com Jesus no caminho para Damasco, o que mudou completamente sua vida. Ele iniciou seu trabalho evangelístico, testemunhando que Jesus é o Filho de Deus. Saulo era um judeu legítimo, nascido em Tarso, na planície da Cilícia, e educado em Jerusalém por Gamaliel, o mais renomado rabino do século I. Por ser cidadão romano, ele também tinha um nome latino: Paulus, que significa “pequeno”. Assim, Paulo era o cognome romano de Saulo, refletindo a prática comum no Império Romano de possuir nomes em diferentes línguas.
No mundo greco-romano, essa prática era comum devido à diversidade cultural do Império. O hebraico Saul, nome dado a Saulo em referência ao primeiro rei de Israel, foi traduzido para o grego como Saulos, e para o latim como Paulus. Essa adaptação demonstra a versatilidade cultural e a integração de Paulo ao contexto romano, que ele utilizou para expandir a pregação do evangelho.
Paulo pregou a doutrina do novo nascimento, fundamentada na morte e ressurreição de Jesus. Ele ensinava que os servos de Deus não estavam mais presos aos rituais da Lei Mosaica, mas livres para viver pela graça. Sua missão influenciou muitos gentios a adorarem o verdadeiro Deus de Israel, formando comunidades cristãs que permanecem até hoje como fruto de seu trabalho.