Semana 46

Comentários Bíblicos: de 11 a 17 de novembro de 2024

A igreja em Atos dos Apóstolos

  • O livro de Atos dos Apóstolos é aquele que constam as experiências da igreja primitiva, aquela igreja que estava iniciando sua caminhada com Jesus revelado, que havia sido morto, mas ressuscitado ao terceiro dia e cumprido a sua promessa do derramamento do Espírito Santo (Joel 2:28; Atos 2:15). Dizer que é a igreja primitiva significa dizer que a primeira igreja, ou seja, o primeiro momento de existência da igreja no mundo. Hoje nós somos a igreja do Breve, a mesma igreja que se iniciou no Pentecostes, porém, no seu momento final nesse mundo antes do seu arrebatamento (Ap 22:6). O Espírito Santo foi enviado para que Jesus fosse revelado ao coração do homem no meio de sua igreja (Jo 14:26). Assim, sem o Espírito Santo agindo, o homem não alcança os mistérios desse Jesus que quer nos salvar. Nesse livro estão descritas as experiências da igreja desde o seu início, e aquilo que o Espírito Santo quer fazer para a igreja estar pronta para a volta de Jesus. Nesse livro encontramos o estabelecimento do colégio apostólico (Atos 1:26), o Batismo com o Espírito Santo (Atos 2), as primeiras conversões (Atos 2 e 3), a instituição dos diáconos (Atos 6), o alcance dos gentios (Atos 10) e os grandes sinais que seguem aqueles cujos o Espírito Santo está se revelando (Mc 16:17). O Senhor estabelece uma igreja com sinais e experiências, que precisaria viver a doutrina e estar pronta para o arrebatamento. Uma doutrina que os apóstolos aprenderam/receberam do Senhor para ser transmitida aqueles quantos tantos ele o chamasse para Salvação (I Cor 11:23; Atos 2:39).

  • A questão referente a tempo na Bíblia deve, como tudo, ser entendida pelo Espírito Santo, e conforme já vimos, o tempo de Deus é o Kairós, um tempo que não se conta. O texto de Atos 2:15 está relacionado profeticamente com o texto de Mateus 20:1-16 e João 11:9, onde o Senhor Jesus diz que o dia (profético) tem doze horas. A parábola das dez virgens, em Mateus 25:1-13, está profeticamente ligada ao livro de Cantares, onde o dia (profético) tem vinte e quatro horas. É necessário entender as dispensações no Projeto de Deus. O texto de Atos relata o momento em que a igreja nasce, e em seu discurso, Pedro explica muito bem o que estava acontecendo: Essa é a terceira hora do dia!

  • A primeira hora do dia, é a hora do Pai, e compreende todo o Velho Testamento. É a madrugada descrita em Mateus 25:1, onde Ele assalariou trabalhadores para sua vinha: Esses trabalhadores foram os patriarcas, os juízes, os profetas, os reis, os servos.

  • A segunda hora do dia, é a hora do Filho, a hora do seu ministério. Jesus disse: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (Jo 5:17). Jesus foi o único “contratado” na segunda hora do dia: “Eu sozinho pisei no lagar, ninguém esteve comigo” (Is 63:3).

  • A terceira hora do dia, é a hora do Espírito Santo, a hora em que novamente sai ao encontro de novos trabalhadores. Ele encontra aqueles que estavam ociosos nas duas primeiras horas do dia, o gentio. O salário acertado é impressionante: “Dar-lhes-ei o que for justo”. Quem vem trabalhar na vinha do Pai (obra), receberá o Justo, receberá Jesus. Sua salvação.

  • A parábola dos trabalhadores da vinha traz ainda as horas sexta, nona, undécima e duodécima, que é a hora do pagamento. Sobre essas horas falaremos por ocasião da leitura do livro de Mateus, frisando que todas elas fazem parte da hora da dispensação Espírito Santo, porém com ênfase nas fases que a igreja iria passar até chegar aos nossos dias e, por fim, ao arrebatamento.

O derramar do Espírito Santo sobre a igreja

  • No Velho Testamento muitos servos ofereceram sacrifícios e holocaustos ao Senhor. A Bíblia registra que o Senhor aceitava ou rejeitava o sacrifício; como no exemplo de Abel e Caim (Gn 4:4-5), porém não informa exatamente qual o sinal de que suas ofertas foram aceitas e/ou rejeitadas. Encontramos em vários textos que o Senhor respondeu com fogo do céu, e entendemos que era dessa forma que o Senhor assinalava haver aceitado o sacrifício. Vejamos alguns exemplos:

i) Gênesis 15:17 – A oferta de Abraão;

ii) Levítico 9:24 – A oferta de Moisés e Arão;

iii) 1 Crônicas 21:26 – A oferta de Davi;

iv) 2 Crônicas 7:1 – A oferta de Salomão;

v) 2 Reis 1:12 – A oferta de Elias.

  • Esses holocaustos e sacrifícios eram aceitos por Deus, mas não eram perfeitos. O sacrifício perfeito foi oferecido pelo Sumo Sacerdote, fazendo o que nenhum outro sacrifício havia feito, rasgado o véu da separação e dado acesso a todo homem ao Santo dos Santos; podendo ele entrar a todo o momento e não apenas uma vez por ano; e sem necessitar de um sacerdote terreno que entre em seu lugar (Hebreus 9).

  • João testifica que Jesus cumpriu toda a exigência da lei, quando o viu ser transpassado e sair de seu lado, água e sangue (Jo 19:34-35). O véu do santuário foi rasgado (Mc 15:38). Jesus ressuscitou, apareceu a mais de quinhentos irmãos (1 Co 15:6), por um espaço de quarenta dias (Atos 1:3). Mas faltava a prova visível de que o sacrifício oferecido havia agradado ao Senhor Deus. Como resposta ao sacrifício de Jesus e cumprimento das profecias descritas nos sacrifícios de Abraão, Moisés, Arão, Davi, Salomão e Elias, o Pai manda fogo dos céus, não sobre o holocausto, mas sobre a igreja, pois o Espírito Santo desceu sobre ela em forma de fogo. Até hoje o fogo do céu (Espírito Santo) cai sobre aquele que aceita o sacrifício de Jesus Cristo, como perfeito e suficiente para salvá-lo. No passado o fogo era enviado sobre o sacrifício que o Senhor aceitava, para aperfeiçoar o sacrifício. Hoje, o Senhor envia o fogo sobre aquele que aceita o sacrifício de Cristo, para que o homem que o aceitou seja aperfeiçoado.

  • O derramamento do Espírito Santo sobre a nossa vida e sobre a igreja é um grande sinal para aquele que quer uma vida de comunhão e santificação com Deus (I Pe 1:2). Aqueles que estão cheios do Espírito Santo estão vivendo a direção do Senhor pela manifestação dos Dons Espirituais (At 2:4), pois sem a profecia, não há benção na vida do povo (Prov 29:18). Aquele que ainda não tem essa experiência fica muitas vezes confuso em dúvida porque não conhece o mistério (At 2:6), mas se maravilha quando veem aquilo que Deus está fazendo no meio da sua igreja professa (Hab 1:5). A Obra de Salvação que Jesus veio realizar foi para nos dar, os gentios, uma oportunidade de Salvação conforme falou Habacuque. O derramamento do Espírito Santo é para trazer clareza ao homem sobre o projeto de Salvação e não para confundi-lo (I Co 14:33), é um mistério que todos precisam alcançar e ouvir na sua própria língua, sou seja, ter a sua experiência individual (At 2:8). Esse mistério só se alcança quando o Espírito Santo está operando em nossa vida e somos fiéis aquilo que Deus separou para nós. O Espíritos Santo desce sobre nós para termos amor pela casa do Senhor, pelos cuidados da igreja que Deus separou para manifestar em nós a Glória dele, para sermos fiéis aos cultos, as orientações do Senhor, a Obra dele (Ex 40:34).