Nínive, uma das mais antigas e grandes cidades do mundo antigo, foi a capital do Império Assírio, localizada às margens do rio Tigre (atual Iraque). A Assíria era conhecida por sua opressão e crueldade para com os povos conquistados, incluindo Israel e Judá. No entanto, a cidade de Nínive é mencionada de forma significativa em diversos livros proféticos da Bíblia.
Os textos proféticos frequentemente mencionam Nínive devido à sua importância no cenário político do Oriente Médio e por seu papel como opressora do povo de Deus. A cidade foi um símbolo de poder militar, riqueza e também de decadência moral e espiritual, o que levou à sua destruição anunciada pelos profetas.
Amós, um dos primeiros profetas, não menciona diretamente Nínive, mas seus pronunciamentos contra as nações tratam da justiça divina e do julgamento contra as nações opressoras, nas quais a Assíria se enquadraria. O foco está nas nações vizinhas e sua injustiça, o que abriria espaço para a crítica de Nínive como uma potência opressora.
Embora Obadias seja focado na destruição de Edom, seu pequeno livro aborda o tema da soberania divina sobre todas as nações, incluindo os opressores de Israel e Judá. Nínive, como capital da Assíria, é implicitamente condenada, já que a Assíria era uma potência que frequentemente oprimia os israelitas.
O livro de Jonas é a principal referência a Nínive. Deus envia o profeta Jonas para pregar o arrependimento aos ninivitas, que surpreendentemente respondem com arrependimento e jejum (Jonas 3:5-10). Esse episódio demonstra a misericórdia de Deus, mesmo para com uma cidade perversa, e é uma exceção no conjunto das profecias de destruição. Jonas relutava em cumprir sua missão, pois sabia que Deus era misericordioso (Jonas 4:2).
Nínive serve como um exemplo de que o arrependimento genuíno pode mudar os desígnios de destruição, mostrando o poder do perdão divino.
O livro de Naum é inteiramente dedicado à destruição de Nínive. Ele descreve a queda da cidade com grande detalhe, e o julgamento de Deus contra sua violência, idolatria e crueldade é apresentado de forma vívida.
Habacuque, embora concentre sua queixa na Babilônia, segue a linha de outros profetas ao clamar por justiça contra os opressores. A mensagem de Habacuque pode ser aplicada à Assíria e Nínive, pois ele clama a Deus por libertação e justiça, destacando o sofrimento dos justos sob o domínio dos ímpios.
Sofonias amplia o julgamento de Deus para incluir todas as nações, e o fim da Assíria e de Nínive é mencionado explicitamente. Em Sofonias 2:13, lemos: "Ele estenderá a mão contra o Norte e destruirá a Assíria, e fará de Nínive uma desolação, terra seca como o deserto."
O orgulho e a autossuficiência de Nínive a levaram à ruína, um lembrete de que o poder sem justiça será julgado por Deus.
A queda de Nínive ocorreu em 612 a.C., quando os babilônios e medos invadiram e destruíram a cidade, conforme predito por Naum e Sofonias. A destruição foi tão completa que Nínive deixou de ser uma força política e militar, cumprindo as palavras dos profetas que haviam anunciado sua queda. A cidade ficou em ruínas e foi esquecida por séculos, apenas redescoberta em escavações arqueológicas modernas.